quarta-feira, 20 de junho de 2007
quarta-feira, 16 de maio de 2007
A trilha
de amores não sentidos, lugares desconhecidos.
Sinto falta de ideologias não perdidas,
de praias ainda desertas, filosofias descobertas.
Sinto saudades da tranquilidade irresoluta,
de amizades não desfeitas, poesias não escritas.
Sinto falta da cachoeira, do asfalto à proa,
de filmes não vistos, angustias já vencidas.
Sinto saudades do livro presenteado,
do espaço conquistado, da segurança.
Sinto falta da sombra acolhedora.
Sinto saudades das maratonas,
das viagens, dos diplomas.
Sinto falta do meu futuro.
Aniversário
faço aniversário.
Bebo tanto,
que até d
.................e
....................s
......................m
..........................a
............................io.
segunda-feira, 7 de maio de 2007
Cotidiário
Calado em seu quarto,
Casulo desfigurado,
Triste e torturado,
Chora demasiado.
Calado em seu quarto,
Coisas rodam ao seu lado,
Vencido e desalmado,
Chora demasiado.
Calado em seu quarto,
Imaginário recalcado,
Angustiado e indesejado,
Chora demasiado.
Em seu quarto,
Chora demasiado,
O Ser calado,
Pelo mundo deturpado.
terça-feira, 1 de maio de 2007
Da Matéria Humana...
O que torna-nos humanos? Alguns afirmam que é o livre arbítrio, a nossa capacidade de fazer escolhas pautadas em julgamentos não apenas de fato, mas sim em julgamentos de valor, pensamento este que nos leva à afirmação da razão humana como elemento preponderante do Ser. Na minha humilde visão, afirmar que a razão sempre sobrepuja instintos irracionais é ledo engano. Adepto que sou do evolucionismo, creio que somos derivações de seres primitivos que, a partir de mutações e da seleção natural, atingiram a escala superior da cadeia alimentar, através do uso e confecção de ferramentas que auxiliaram a caça e, posteriormente, a colheita. O racionalismo foi corolário de uma visão filosófica de mundo já ultrapassada. O Modernismo vem morrendo a cada dia que passa, e a condição Pós-Moderna, como é tratada por, e.g., David Harvey, traz ínsita em seu discurso a deposição do racionalismo e propugna por uma concepção que, a meu ver, pouco diz mas muito abrange – a noção de esquizofrenia, não no sentido clínico, é claro. Isto posto, creio que, apesar de todos os anos de evolução, ainda temos enraizados no Ser instintos puramente animais. O que torna-nos humanos? Seria nossa capacidade de criar? Nossa capacidade de fazer e apreciar a Arte? O terceiro nível de pensamento, a capacidade de questionar e, portanto, filosofar? Caso abordemos tais questionamentos de uma forma meramente cartesiana, sim, isso nos tornaria humanos, visto que animais não escrevem poesia ou compõem música. Mas seria este o parâmetro correto para avaliar a condição humana? Acredito que não o é, já que estaríamos considerando apenas as conseqüências, o resultado, e não a essência do questionamento. Não seria a Arte uma mera forma de emular a própria natureza que nos circunda? O que torna-nos humanos, então? Na minha simples visão, o que nos faz humanos é a nossa capacidade de errar. Erramos sempre, todos os dias. Erramos para o bem e para o mal. Erramos de forma criativa e erramos de forma destrutiva. Errar, como a morte, é uma das poucas certezas que temos. Erro muito, erro cotidianamente, e sou feliz por isso. Isso me aproxima da essência do que sou. Ser Humano, Ser Errante, Ser Imperfeito. Erro feio, com tudo e todos e, por meio deste pequeno texto, procuro expiar meus pecados (sem conotações religiosas). Desculpem-me, mas sou humano e, em o sendo, erro mesmo.
terça-feira, 17 de abril de 2007
Beija-flor do Maracanã
segunda-feira, 16 de abril de 2007
Sinergia!!
A Moda de Paula G.
esperava-te na estação. filha da puta, estava atrasada. enquanto esperava, pensava em tudo que havia ocorrido. um beijo, uma trepada, uma paixão. cacete que idiota, caí na sua armadilha. ouvia the smiths pensando nas tuas coxas grossas. aposto que está atrasada porque está dando pra algum filha da puta que entende mais de coltrane que eu. foda-se. a verdade é que você nunca vai ter um caralho igual ao meu. isso você sabe. isso é o que eu penso. isso é minha esperança. que você nunca mais apareça...não quero mais te ver. vou pegar esse trem sozinho...eu, meu golden virginia, meu ipod de merda, meu david harvey que você nunca quis ler ou compreender. você acha que vestir-se bem e pensar alguma coisa além do fugaz a faz a pessoa mais maravilhosa do mundo? vai para aquele lugar...tá pensando o que? também falo três linguas e estudo em faculdade de referência. e o que mais? Só porque você sabe combinar uma saia com uma blusa e se transforma na menina mais linda da cidade...de listras...você acha que pode fazer isso comigo? cacete...juro que vou te degolar.. te emprestei todo meu acervo de mp3, mais de uma caralhada de música e você nunca me agradeceu...te dei o dvd do portishead e você nunca me chamou para ver...comprei duas gramas de hash e você fumou com outro...e agora essa?! comprei essa passagem pra ver se dava pra resolver essa coisa toda que você começou discutindo relação e ouvindo electrelane e chorando pedindo suas amigas e saindo e tomando aquela porcaria de suco do bibi. vou pegar esse trem e te esquecer porque não dá mais não aguento mais sua falta de consideração...você nunca me devolveu meu original do apanhador no campo de centeio e destroi meu sonho de ser caufield. caralho eu sou caufield O niilista só você que não enxerga isso...quer saber vou parar de pensar em você agora mesmo. vai abrir suas pernas para outra pessoa pra alguem que aguente dar seis fodas por noite e não fique sem folego e nem fume um cigarro. é eu fumo mesmo e quero que você vá para o caralho.
*************Direito de Resposta, por Paula G. (http://umbigodepaula.blogspot.com)
Ele me jura amor eterno (até o próximo mês) e espera que eu chegue na hora certa.Me mostra seu corpo,seu cheiro,suas entranhas,sua vida,e espera que eu chegue aqui pontualmente derramando sobre ele todo amor que eu guardei pra ninguém.Acontece que eu vim,personagem daqueles filmes idiotas em que a mulher sai correndo pra estação,mas ele não estava no trem.E não estava ali por perto,cigarro na mão ( à la française),com aquela cara blaseé característica dele.Ele,ele,ele...Ele me pediu amor eterno com o olhar depois de cada uma daquelas noites infindáveis que sempre acabavam durante o dia,vendo o sol nascer bêbados como dois idiotas que somos,falando sobre a impossibilidade de fidelidade nos dias de hoje estando completamente apaixonados um pelo outro.Babaca,acha que ter um exemplar do apanhador no campo de centeio e ouvir a droga do portishead faz de você o cara mais pirocudo e interessante do mundo?Só porque sabe juntar meia dúzias de palavras bonitinhas e escolher um vinho bom não quer dizer que você é o poeta maldito da década,só porque fala suas palavras difíceis e jorra durante horas sua filosofia barata de botequim não significa que só você pode entender e suprir tudo o que eu quero que não é palpável,que não se preenche.E é por isso que você quis,porque no fundo cara,eu sou você,e você reconheceu em mim não a resposta para suas questões,mas alguém tão egoísta e não amável quanto.Mas a grande diferença entre eu e você,é que hoje eu vim,e abandonei tudo,e fiz a mala,e fui exatamente o tipo de pessoa que eu sempre evitei ser,e dei minha cara a tapa,me joguei na possibilidade de amor que você me ofereceu,mas você é patético,e covarde,e não estava lá,e porque eu tenho certeza absoluta que agora você está fingindo ser caufield pra uma menina que além de fazer direito na UFRJ,deve querer trepar com você ao som do último cd do Jack Johnson,é que eu vou entrar nesse trem,sem a menor idéia de onde ir,sem a menor expectativa no que vai dar.Porque agora é assim,e a partir de hoje você é só resquício,e um livro jogado no fundo de uma gaveta junto com toda a vida que nós não tivemos.